quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

HOJE É SEXTA-FEIRA 13! (ONTEM FOI QUINTA-FEIRA 12! E DEPOIS É SÁBADO 14…)


Hoje é sexta-feira 13 e o que temos a dizer a respeito disto é que ontem foi quinta-feira 12 e depois de amanhã será sábado 14. Dito isto, deixemos as bobagens de lado e falemos de coisas relevantes, como o perigo das superstições e algo ainda mais insidioso e sutil: a superficialidade com que muita gente reduz todo o sobrenatural ao mesmo nível da superstição.


SUPERSTIÇÃO

Superstições são crenças, sem base na razão, que levam a criar falsas obrigações atreladas tanto a esperanças quanto a medos infundados. Em geral, envolvem sinais (objetos, pessoas, acasos) que provocariam determinados acontecimentos, bons ou ruins: um gato preto que provocaria 7 anos de azar, um trevo de 4 folhas que traria sorte, uma cor de roupa que traria dinheiro e por aí afora.

Um conjunto particularmente perigoso de superstições envolve “ritos” que lidam com “forças ocultas” a fim predizer o futuro ou desvendar segredos sem recorrer a Deus – ou supondo recorrer a Ele, mas de uma perspectiva não cristã, não filial. Deus revelou algumas coisas sobre o futuro: por exemplo, que haverá um juízo e que existe a vida eterna (aqui não custa ressaltar que toda revelação divina é matéria de fé: ou você acredita, ou você não acredita; se houvesse certeza tangível, não seria fé: bastaria constatar e pronto. Também não custa lembrar que fé não é superstição: a fé consiste em crer em “parceria” com a razão e em harmonia com campos do conhecimento como a filosofia, a história, a biologia, a psicologia… A fé é uma busca de resposta que não nega a racionalidade. Já a superstição é uma crença acrítica). Para nos prepararmos responsavelmente para esse futuro, Ele nos deu meios naturais como a inteligência, o estudo, a ciência e, tão importante quanto, a liberdade: com o livre arbítrio, nós próprios podemos tomar as decisões que a nossa consciência e a fundamentação em parâmetros objetivos nos indicam como as mais adequadas e sólidas. Graças a essa mesma inteligência e realismo, também podemos reconhecer que não temos um controle pleno sobre o nosso porvir: ele está nas mãos de Deus. Cabe a nós fazer a nossa parte com o máximo empenho, confiando em Deus como o Pai infinitamente bom, que sabe quais desafios e quais conquistas nos convêm. Em síntese, como se diz popularmente, cabe a nós propor e a Deus dispor. Nessa panorâmica cristã, não cabe o recurso a sinais e ritos que visem “especular” o que cabe a Deus ou “dar um jeitinho” naquilo que devemos resolver nós mesmos, com a nossa inteligência e liberdade que Deus nos deu precisamente para… usarmos.

DESDÉM: SERÁ QUE TUDO QUE É “SOBRENATURAL” PODE SER DESCARTADO?

Há o outro extremo: o de não a levar a sério nada que tenha relação com o sobrenatural, reduzindo sumariamente o mundo a matéria e mero acaso. Nesta visão, qualquer conceito espiritual é tratado com desdém.

Menos abrangente, mas igualmente perniciosa, é a tendência, entre muitos crentes em Deus, a negar não a existência do espiritual, mas sim a existência do mal – em concreto, a existência do diabo, visto como fruto de “superstição” ou de manipulação por parte da Igreja institucional.

Por fim, um risco que merece especial atenção: o de brincar com o sobrenatural, particularmente com o mal, na tentativa de “confirmar que nada disso é sério”.

Segundo o exorcista espanhol pe. José Antonio Fortea, está entre as principais causas de possessão pelo demônio a participação em cultos e ritos esotéricos em que se invocam os mortos e as genericamente chamadas “forças ocultas”. Muitas vezes, há quem participe de tais ritos “só por brincadeira” ou “por curiosidade”.

NOSSA CULTURA LAICISTA E O AUMENTO DAS ATIVIDADES OCULTISTAS

Da brincadeira e da curiosidade às consequências imprevistas pode haver um passo curto.

O pe. Gary Thomas, exorcista norte-americano cujo livro sobre a própria preparação em Roma serviu como base para o filme “The Rite” [O Rito], de 2011, gosta de citar o papa emérito Bento XVI dizendo que, “quando a fé diminui, aumenta a superstição”. De fato, entre os fatores culturais que têm levado ao crescente interesse e prática do satanismo e de outras atividades ocultas, o mais óbvio é o declínio da fé cristã no Ocidente. Os ocidentais, no geral, são pessoas impacientes: mesmo entre os que se declaram católicos, há muitos que vão atrás de curandeiros e de alternativas a Deus, no afã de “soluções instantâneas”. A confusa mistura entre o declínio da fé, a sociedade supostamente laica e as “brincadeiras” e “provocações” ocultistas parece indicar uma relação. Segundo o mesmo pe. Gary, o número de pessoas que estão se metendo com o ocultismo, seja através do satanismo, do paganismo, da idolatria ou de alguma outra modalidade, “a sério” ou “por brincadeira”, tem sofrido um aumento acentuado nos últimos 30 anos.

Em “The Occult Roars Back: Its Modern Resurgence” [O Ressurgimento Moderno do Ocultismo], Richard Kyle, professor de História e Estudos Religiosos da Universidade Tabor, no Estado do Kansas, EUA, cita vários especialistas acadêmicos que escreveram sobre as causas do grande aumento do interesse pelo ocultismo. Jeffrey Russell, por exemplo, observou que, historicamente, “o interesse pelo oculto cresce significativamente nos períodos de rápido colapso social, quando os padrões estabelecidos deixam de dar respostas prontamente aceitáveis e as pessoas se voltam para outras referências em busca de garantias”. Mas, acrescenta Kyle, também há uma base de fatores para o aumento do interesse pelo oculto, conforme proposto por Catherine Albanese, que “ressalta que muita gente foi preparada pela cultura norte-americana para se voltar a si mesma e ao universo em busca de certezas religiosas. A tradição protestante tendeu a apoiar a importância do conhecimento ou da crença na religião. Depois, a ala liberal do protestantismo modificou esta abordagem, enfatizando a presença de Deus em todos os lugares e destacando o otimismo americano em relação à bondade inata da natureza humana. O caráter difusivo do liberalismo e a sua falta de limites nítidos ajudou as pessoas a se ajustarem à ideia de viver confortavelmente sem diretrizes religiosas rígidas”.

Albanese também observa que “a organização urbana e corporativa da sociedade” fragmentou todo o senso de vida comunitária. Em seu lugar, “a astrologia deu às pessoas um senso de identidade” e “as ajudou a estabelecer relações seguras com os outros. A autoajuda fez as pessoas adotarem certas medidas para conseguir a prosperidade, a saúde e a felicidade em meio às suas situações cotidianas. Videntes ofereceram cura física e orientação espiritual para lidar com os problemas do dia-a-dia”.

Ted Baehr, fundador e editor do Movieguide e autor de quase uma dúzia de livros, falou no II Congresso Mundial das Famílias sobre “Proteger as Crianças da Violência da Mídia”. Ele cita o estudioso Harold Bloom, da Universidade de Yale, que analisou “o surgimento da América pós-cristã em seu livro ‘A Religião Americana’, e que diz que o deus a quem adoramos somos nós mesmos. Ele afirma que a verdadeira religião da América do Norte é o gnosticismo, uma heresia elitista que combina filosofias místicas gregas e orientais e declara a necessidade do acesso a ‘conhecimentos especiais’ para se chegar ao mais alto dos céus”. A palestra de Baehr incluiu definições coerentes das crenças que atualmente competem com o cristianismo para conseguir seguidores nos Estados Unidos e em grande parte do mundo: o humanismo secular, o panteísmo, o materialismo, o niilismo, o romantismo, o existencialismo, o nominalismo, o idealismo, a New Age e o ocultismo.

TÁ BOM, TÁ BOM… MAS E QUANTO À SEXTA-FEIRA 13?

Ela não significa nada, a não ser que a quinta-feira foi dia 12 e o sábado será 14. Aproveite-a para rezar o terço e ir à missa. Ajude alguma pessoa, com sincera caridade cristã e sem esperar nada em troca. Trabalhe com esforço e responsabilidade. Sorria! Alimente-se bem, leia, exercite-se, namore, brinque com seus filhos, beije seu cônjuge, visite seus pais, converse com seus amigos, analise com raciocínio crítico as notícias do dia, estude algo, combata seus vícios, pratique a virtude, engula aquela vontade louca de fofocar ou resmungar ou criticar os outros, faça comentários propositivos e construtivos, beba água. Fale com uma boca e escute com dois ouvidos. Se sobrar tempo, divirta-se com sua família vendo alguns vídeos engraçados no YouTube – sobre gatos pretos, de preferência: eles não dão azar, não. E tenha um ótimo fim de semana!

Via Aleteia Brasil
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